Sobre o lançamento Deserto Ardente
“Tanto a poesia como a crônica são uma constante na minha criação literária”
Por Josi Marinho
O escritor Sivaldo Venerando é natural de Limoeiro, no Agreste de Pernambuco, e se identificou com a Literatura desde a infância. Publicou sua primeira poesia ainda na adolescência, com o título “Sentimentos”, na Revista Fique Por Dentro, e, a partir de então, dedicou- se a escrever textos literários. Ao longo de sua carreira, teve vários textos interpretados em peças teatrais e divulgados em revistas e jornais em todo o Estado. Sivaldo Venerando é diretor de redação do Jornal Voz do Planalto e um dos apresentadores do programa de rádio Voz do Planalto, na Naza FM 91.1, e assina a coluna Voz Cultural no jornal impresso. Ele é autor do livro “Imaginética”, lançado em 2007 e recentemente estreou no gênero crônicas com o título Deserto Ardente. Conheça agora um pouco da trajetória e do trabalho desse escritor que vem se destacado na Literatura interiorana de Pernambuco.
Fale sobre a sua formação e atuação no meio jornalístico.
Tenho formação superior em Letras e fiz curso sequencial em jornal, rádio e TV. Venho de uma atuação em outros órgãos de imprensa, como a revista Fique Por Dentro e o jornal Viver Notícias, até chegar ao Voz do Planalto. Portanto, tenho quase uma década de atuação.
Quando iniciou seu interesse por literatura?
Sempre gostei muito de ler e iniciei na literatura de cordel quando criança. Depois fui estimulado na adolescência a escrever e até publicar em periódicos. Daí não parei mais.
Em 2007, você lançou o seu primeiro livro “Imaginética”. Como essa publicação é formada e o porquê da escolha desse título?
Imaginética reúne poemas construídos a partir do ritmo e da imagem, como deve se comportar esse gênero na atualidade. Além disso, há momentos de descrição da arte pela arte, no caso a poética, sendo esses dois fatores a razão pela qual criei esse neologismo: Imaginética.
Seu mais recente trabalho é “Deserto Ardente”. A obra é sua estreia no gênero crônicas. Como ocorreu essa transição do gênero poesia para a crônica?
Na verdade, tanto a poesia como a crônica são uma constante na minha criação literária. Os gêneros se alternam. Mas a crônica, em particular, surgiu com a atuação no jornalismo somada à experiência na poesia.
Fale um pouco sobre o livro “Deserto Ardente". Como surgiu a ideia inicial para a criação desta publicação?
Deserto Ardente traz nas suas entrelinhas um recado de inconformidade com a ausência dos valores em todos os sentidos. O tema do qual me aproprio é esse vazio (deserto) de sentimentos, de ética, de afetividade e outras coisas mais. É um livro que tem seu foco. Pode ser elogiado ou criticado, mas tem seu recado. Isso porque o papel do escritor na arte é contribuir para que a sociedade seja transformada, conscientizada. Não pode é passar despercebido. E há também muita coisa bela do cotidiano e até poética na descrição de ambientes bastante peculiares dos recantos de Pernambuco, fatos ocorridos em Limoeiro, Carpina, Recife, Cabo de Santo Agostinho e Cumaru. Então, a ideia da publicação foi contemplar o leitor com textos onde ele se enxergasse e pudesse adentrar numa esfera atemporal, mas sentindo prazer pela leitura.
Você já lançou o livro em Limoeiro, em Carpina e o apresentou em eventos literários com convite para lançamento em outras cidades aqui na Mata Norte. Como está sendo a recepção do público?
A recepção tem sido a melhor possível. O público leitor já prestigia, até porque se indentifica com o estilo já conhecido na coluna Voz Cultural, aqui do VP.
Apesar de ter lançado recentemente um livro, existem novos projetos em pauta?
Sim. Há projetos para novos trabalhos em ensaio, poesia e novamente crônicas.
Você atribui o fato da sociedade não ser habituada à leitura de livros ou à identificação com a literatura, a uma questão cultural, especialmente agora, quando os valores estão sendo desvirtuados com modismos ou têm uma opinião diferente sobre esse assunto?
A sociedade não tem o hábito da leitura, realmente. Mais que uma questão cultural, é falta de estímulo. É muito mais fácil você tomar conhecimento de uma boa história via TV. Só que seu ganho cultural é nulo, assim como a capacidade de pensar. E agora, com os modismos e tanta criação de baixo nível entrando no mercado, fica incerto o ganho cultural das novas gerações. Talvez seja o momento de fazer uma triagem da boa literatura e inseri-la no contexto do saber em sala de aula.
Nenhum comentário:
Postar um comentário